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20 anos do programa de pós-graduação ENCE/IBGE

CHAMADA DE TRABALHOS

Livro -  Comemoração dos 20 anos da pós-graduação da Escola Nacional de Ciências Estatísticas: Caminhos e Perspectivas

            Em 1998 foi iniciado o Mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da ENCE/IBGE. Naquele momento a dinâmica social e territorial do Brasil e do mundo já passava por amplas mudanças, que continuam em curso desafiando constantemente o campo de estudos. Assim, o contínuo desenvolvimento de perspectivas teóricas, metodológicas e analíticas que tratem da dinâmica demográfica, territorial e da produção de estatísticas públicas são de suma importância para o entendimento da sociedade contemporânea e para a melhoria das condições de vida da população.

De modo geral, na data de criação do programa, a transição demográfica no país estava em estágio avançado, com baixas taxas de natalidade e mortalidade, com a taxa de fecundidade total de 2,4 filhos por mulher, se aproximando do nível de reposição, e a janela de oportunidades demográfica estava em seu início. Territorialmente, embora desde o final da década de 1990 a população urbana já tivesse superado os 80%, essa apresentava uma dinâmica territorial que já complexificava as concepções clássicas da segregação socioespacial e com crescente diversificação na distribuição populacional e do desenvolvimento regional, com queda da importância relativa das grandes metrópoles. No contexto da produção de estatísticas públicas, a coleta de dados apresentava seus primeiros passos no caminho do uso de ferramentas digitais. Passados esses 20 anos, a taxa de fecundidade total no Brasil estimada é de 1,7 filhos por mulher, com perspectiva de continuar diminuindo; o aumento expressivo do gasto público e a institucionalização de políticas urbanas e regionais não foram capazes de reverter o desenvolvimento urbano excludente e precário, assim como as desigualdades regionais, que persistem. Quanto à produção de estatísticas públicas houve profundas mudanças na coleta, processamento e armazenamento de dados estruturados e as bases de dados se multiplicaram, mas a necessária revolução de dados ainda não se tornou uma realidade.  Soma-se a este contexto a produção de estatísticas não estruturadas provenientes do avanço tecnológico e digital, os chamados Big-Data, que trazem desafios metodológicos e também oportunidades, principalmente para o conhecimento de dinâmicas de difícil compreensão a partir das pesquisas existentes.

Nesse cenário o programa de pós-graduação da ENCE/IBGE tem se desenvolvido, considerando que a compreensão dos fenômenos demográficos e territoriais não pode ser compartimentalizada nem prescindir de pesquisas sociais e estatísticas públicas que retratem fidedignamente e com qualidade tais questões. Em 2014 o programa foi reestruturado, para dar início ao curso de doutorado, momento em que passou a ser designado como pós-graduação em População, Território e Estatísticas Públicas, para retratar a integração dessas três dimensões.

Para marcar a data de 20 anos de existência, a Coordenação de Pós-Graduação está organizando uma publicação que contemplará tanto aspectos históricos do programa como de suas perspectivas e desafios futuros, considerando as principais questões atuais presentes nas análises sobre população, território e estatísticas públicas. Mas principalmente, incluirá trabalhos analíticos e metodológicos que se espera receber a partir desta chamada, com uma publicação pensada para fomentar as discussões feitas nas duas linhas de pesquisa do Programa: População, Território e Condições de Vida e Produção de Estatísticas Públicas.

Serão aceitos artigos relacionados às estas linhas de pesquisa descritas a seguir, sendo especialmente encorajados os trabalhos que realizem a interface entre as mesmas.

 

  1. 1. População, Território e Condições de Vida

Trabalhos que tenham como foco o estudo da dinâmica populacional e territorial e das condições de vida da população, englobando aspectos sociais, econômicos e ambientais. Inclui-se a utilização de indicadores e o emprego de métodos e modelos para análise da dinâmica populacional e territorial e das condições de vida, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas. Explora as bases de dados existentes e realiza levantamentos de informações quantitativas e qualitativas, considerando os aspectos conceituais e metodológicos e respeitando os limites das fontes utilizadas.

 

  1. 2. Produção de Estatísticas Públicas

Trabalhos que busquem o estudo de questões ligadas ao planejamento e à condução de levantamentos como censos, pesquisas amostrais e registros administrativos usados para a produção de estatísticas públicas que retratem o estado e a dinâmica populacional e territorial e as condições de vida da população. Inclui o desenvolvimento, a análise e a avaliação de métodos e modelos que contribuam para o avanço da produção de estatísticas públicas, da construção de indicadores e de sistemas de indicadores.

 

Pré-requisito para submissão: Os artigos devem ter pelo menos um  docente ou discente que atua ou já atuou no Programa. Os trabalhos devem ser preferencialmente inéditos (para trabalhos publicados totalmente ou parcialmente em outros meios devem ser enviados com a aprovação prévia de republicação).

Prazo: A submissão deve ser realizada a partir da data de publicação desta chamada até o dia 31 de outubro de 2018. Todas as submissões passarão por um processo de avaliação duplo-cega e aprovação final do Comitê Editorial da publicação.

Os manuscritos devem ser enviados para os correios eletrônicos: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. e O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. . Dadas possíveis restrições de tamanho de mensagens eletrônicas, o envio de arquivos com tamanho superior a 5MB será ajustado mediante contato prévio.

A previsão é que a publicação seja lançada em março de 2019.

 

Formato:

1) O manuscrito deve ser digitado em Word (versão 6.0 ou superior), com espaço duplo, utilizando-se fonte de letra Arial 12 pt;

2) Tamanho máximo de 8.000 palavras;

3) Máximo de cinco elementos gráficos.

4) O manuscrito não pode conter a identificação de nenhum dos autores (inclusive retirar identificação das propriedades do documento). Deve ter título, resumo, texto e referências bibliográficas, além de incluir todos os elementos gráficos no corpo do texto. Adicionalmente, os elementos gráficos/tabelas/mapas/quadros/figuras devem ser enviados em arquivos complementares.

Elementos complementares: tabelas, gráficos, figuras, mapas e quadros devem ser apresentados no texto, no local aproximado que deverão aparecer na publicação final, com numeração consecutiva e independente, em algarismos arábicos, cada qual identificado na parte superior pelo termo TABELA, QUADRO, GRÁFICO, MAPA ou FIGURA, seguido do seu número de ordem. As tabelas e quadros, de preferência, devem estar no formato de objeto e não como figuras no texto. A publicação não é colorida, assim, elementos em cores serão transformados em tons de cinza. Aconselha-se que os originais já venham em tons de cinza quando possível. Os arquivos dos elementos gráficos, em formato editável, devem ser enviados em arquivos separados e devidamente identificados.

Ao longo do artigo as referências devem aparecer com indicação do sobrenome do autor e data de publicação e para referências literais acrescentar o(s) número(s) da(s) página(s) transcrita(s). Havendo mais de um trabalho do mesmo autor no mesmo ano, utilizar a, b, c imediatamente após a data. Exemplo: (MORTARA, 1982a, p. 427).

Referências bibliográficas: os elementos essenciais são autor(es), título, subtítulo (se houver), edição, local, editora, data de publicação, páginas e volumes (se houver) (ABNT NBR 6023).

As informações completas da submissão e formato podem ser acessadas em www.ence.ibge.gov.br/20anosppg

Comitê editorial ENCE/IBGE

Angelita Alves de Carvalho

César Marques

Suzana Cavenaghi

Estágio de Docência

O Estágio de Docência na ENCE é caracterizado pela realização de atividades de docência em nível de graduação pelos discentes da pós graduação stricto sensu. É obrigatório a todos os discentes bolsistas de doutorado e facultativo aos demais discentes de mestrado e doutorado. 

A cada semestre são disponibilizadas as disciplinas em que o Estágio poderá ser feito. A definição final das disciplinas é feita pelas coordenações de graduação e pós-graduação, considerando os interesses e currículos de alunos e as demandas da graduação.

Disciplinas para Estágio de Docência no 2º semestre de 2018

A inscrição para realização do Estágio de Docência no 2º semestre será feita a partir de indicação de disciplina seguindo o horário da graduação, disponível aqui, e por meio do envio da ficha de inscrição para o e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. até o dia 15/07/2018. As informações sobre as ementas de cada uma das discplinas e sobre o curso da gradução como um todo estão disponíveis aqui.

Para a inscrição, é preciso ter a anuência do orientador corrente e se matricular na disciplina Estágio de Docência (na matrícula do 1º trimestre), entregando o Plano de Trabalho à Coordenação de Pós-graduação. Após a conclusão de cada período letivo do estágio, o discente deverá entregar o Relatório das Atividades, e o docente um Parecer, encaminhando-os à Comissão de Bolsas. Esta fará a apreciação dos documentos entregues para que os créditos relativos a disciplina Estágio de Docência possam ser integralizados ao histórico escolar do discente. Recomenda-se a indicação de ao menos duas disciplinas na ficha de inscrição.

Para acesso ao regulamento completo do Estágio de Docência clique aqui.

A regulamentação dada pela Capes ao Estágio de Docência pode ser acessada aqui.

Os formulários de inscrição, o modelo para o plano de trabalho e o modelo para relatório de atividades estão disponíveis a seguir.

Ficha de inscrição

Plano de Trabalho

Relatório de Atividades

Desastres no Rio de Janeiro

Projeto: “Os impactos demográficos e as respostas aos desastres no Rio de Janeiro”

Nesse início de década o Estado do Rio de Janeiro passou por dois dos maiores desastres da história recente do país, com os deslizamentos do Morro do Bumba, em Niterói e na Região Serrana, em 2010 e 2011, respectivamente. No entanto, o estudo dos impactos demográficos, sociais e econômicos de desastres ainda são raros no Brasil. O foco no evento físico que gera o impacto ainda é a tônica das pesquisas acadêmicas e das práticas de política pública. Nesse projeto buscamos uma compreensão sobre os desastres a partir da discussão sociológica. Compreendemos o desastre como um fenômeno que ocorre na interação entre um evento-perigo que atinge áreas em condições de vulnerabilidade social e ambiental, gerando impactos. Do ponto de vista demográfico, o deslocamento de populações e a mortalidade são os principais impactos. Para a realização dessa pesquisa, serão utilizadas duas escalas. Na escala estadual iremos analisar a composição sociodemográfica e ambiental dos 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro, criando um mapeamento sobre as principais características que servirão de fundo para a ocorrência dos desastres. Na escala local faremos estudos do tipo forense, analisando os impactos demográficos e as respostas dadas pela sociedade em relação aos dois desastres específicos aqui mencionados: do Morro do Bumba e da Região Serrana. Tal análise será focada na dinâmica da mobilidade e morbimortalidade gerada por tais desastres, com ênfase nos aspectos de realocação de moradias, deslocamentos forçados, emigração em função do desastre, impactos na saúde e mortalidade. Espera-se que o projeto apresente resultados que avancem na conceituação do desastre e nos seus desdobramentos no plano da mobilidade e saúde.

Participantes:

César Augusto Marques da Silva
Ana Carolina Soares Bertho
Letícia de Caravalho Giannella

Referências:

ADAMS, V.; VAN HATTUM, T.; ENGLISH, D. Chronic disaster syndrome: Displacement, disaster capitalism, and the eviction of the poor from New Orleans. American Ethnologist. Nov.; n. 36(4), p. 615-636, 2009.
ALCÁNTARA-AYALA, I.; OLIVER-SMITH, A. Migration, urbanisation and landslide disasters in contemporary Latin America: a Mexican case study in the Development and Social Construction of Risk. 2nd IRDR Conference, Beijing, China, 2014.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Relatório de Inspeção Área atingida pela tragédia das chuvas Região Serrana do Rio de Janeiro. Brasília: Secretaria de Biodiversidade e Florestas; 2011.  
CARMO, R. L. Urbanização e Desastres: Desafios para a segurança humana no Brasil. In: CARMO, R. L.; VALENCIO, N. (orgs). Segurança humana no contexto dos Desastres. NEPO/UNICAMP, NEPED/UFSCAR, FMCJS, Campinas, 2014.
Castilho, L. V.; Oliveira, P. M. de c.; Fabriani, C. B. Análise de uma tragédia ambiental e a participação da população no equacionamento dos problemas de moradia: um estudo de caso da tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro. In: Anais do VI Encontro Nacional da ANPPAS, 18 a 21 de setembro de 2012, Belém, 2012.
CUTER, S. et al. Hurricane Katrina and the forgotten Coast of Mississipi. 2nd IRDR Conference, Beijing, China, 2014.
FREITAS, C. M. et al. Vulnerabilidade socioambiental, redução de riscos de desastres e construção da resiliência: lições do terremoto no Haiti e das chuvas fortes na Região Serrana, Brasil. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 6, June 2012.
HOGAN, D. J.; MARANDOLA JR., E. Bringing a population-environment perspective to hazards research. Population and Environment, v. 34, p. 3-21, 2012.
IPCC. Managing the Risks of Extreme Events and Disasters to Advance Climate Change Adaptation [FIELD, C.B.; V. BARROS, T.F. STOCKER, D. QIN, D.J. DOKKEN, K.L. EBI, M.D. MASTRANDREA, K.J. MACH, G.-K. PLATTNER, S.K. ALLEN, M. TIGNOR; P.M. MIDGLEY (eds.)]. A Special Report of Working Groups I and II of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). Cambridge University Press, Cambridge, UK, and New York, NY, USA, pp. 25-64. 2012.
IRDR. Forensic Investigations of Disasters: The FORIN Project (IRDR FORIN Publication No. 1). Beijing: Integrated Research on Disaster Risk. 2011.
LAVELL, A.; M. OPPENHEIMER; C. DIOP; J. HESS; R. LEMPERT; J. LI; R. MUIR-WOOD; S. MYEONG. Climate change: new dimensions in disaster risk, exposure, vulnerability, and resilience. In: Managing the Risks of Extreme Events and Disasters to Advance Climate Change Adaptation [FIELD, C.B.; V. BARROS, T.F. STOCKER, D. QIN, D.J. DOKKEN, K.L. EBI, M.D. MASTRANDREA, K.J. MACH, G.-K. PLATTNER, S.K. ALLEN, M. TIGNOR; P.M. MIDGLEY (eds.)]. A Special Report of Working Groups I and II of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). Cambridge University Press, Cambridge, UK, and New York, NY, USA, pp. 25-64. 2012.
LOGUERCIO, J. F. C. Morro do Bumba, etnografando a transformação de uma paisagem sob múltiplos olhares: da invisibilidade à tradédia, uma página que não deve ser virada. Dissertação (Mestrado em Antropologia – UFF), Niterói, 2013.
MARQUES, C. A. M. Em busca da resiliência? Urbanização, ambiente e riscos em Santos (SP). Campinas: Tese de doutorado em Demografia. IFCH, UNICAMP, 2014.
MASKREY, A (org.). Los desastres no son naturales. La Red, 1993.
MORROW, B. H. Community Resilience: A Social Justice Perspective. Community and Regional Resilience Initiative (CARRI) Research Report, n. 4, 2008.
OJIMA, R.; MARANDOLA, E. J.; Indicadores e políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas: vulnerabilidade, população e urbanização. Revista Brasileira de Ciências Ambientais, São Paulo, n. 18, p.16-24, 2010.
RIBEIRO, M. J. Sociologia dos desastres. In: Sociologia, n.º18, pp.23-43, 1995.
SILVA, V. P. da. Desastre ambiental: Comunidade morro do Bumba em Niterói. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Serviço Social– Universidade Federal Fluminense, Escola de Serviço Social), Niterói, 2012.
UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina, CEPED - Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres. Atlas brasileiro de desastres naturais 1991 a 2012: volume Brasil. Florianópolis: CEPED-UFSC, 2013.
UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina, CEPED - Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres. Atlas brasileiro de desastres naturais 1991 a 2012: volume Rio de Janeiro. Florianópolis: CEPED-UFSC, 2013b.
UNISDR. Global Assessment Report on Disaster Risk Reduction: Risk and Poverty in a Changing Climate – Invest Today for a Safer Tomorrow. United Nations International Strategy for Disaster Reduction, Geneva, Switzerland, 2009, 207 pp.
VALENCIO, N.; SIENA, M.; MARCHEZINI, V.; GONÇALVES, J. C. (orgs.). Sociologia dos Desastres: construção, interfaces e perspectivas no Brasil. 1. ed. São Carlos: RiMa, 2009.
_____. Para além do ‘dia do desastre’: o caso brasileiro (Coleção Ciências Sociais). Curitiba: Appris. 2012. v. 1. 227p .
WILCHES-CHAUX, G. La vulnerabilidad global. In: MASKREY, A (org.). Los desastres no son naturales. La Red, 1993.


Financiamento: Chamada Universal/ CNPq

Políticas Públicas e Dinâmica Demográfica

Projeto: “Políticas Públicas, Mudança Social e Dinâmica Demográfica: Brasil- 1992 a 2014”

O objetivo desse projeto é analisar criticamente a emergência e expansão de políticas públicas a partir da Constituição de 1988 e o quadro de mudança social e seus desdobramentos na dinâmica demográfica nos últimos 25 anos, mais precisamente entre 1992 e 2014.   
 
A sistematização histórica das políticas e programas sociais, em particular as relacionadas ao Desenvolvimento Social podem trazer subsídios que contribuam para o conhecimento da natureza dessas políticas e do papel que elas têm exercido sobre aspectos da mudança social no país. Ainda que se tenha produzido diversas análises sobre o Programa Bolsa Família e de seus impactos sobre a pobreza e algumas dimensões sócio-demográficas, parece haver lacunas de entendimento de que outras políticas e programas de Desenvolvimento Social também contribuíram nesse sentido, como os serviços socioassistenciais, de segurança alimentar e inclusão produtiva. Há, pois, uma visão fragmentada das políticas e de seus efeitos sobre o tecido sóciodemográfico, assim como externalidades não triviais a investigar.  
 
A mudança social revelada por meio da evolução da pobreza monetária, pobreza multidimensional, mobilidade social, estrutura de classes de renda, de classes de escolaridade, de atividade econômica, de estrutura sócio-ocupacional, de acesso a serviços urbanos essenciais será analisada à luz do conjunto de políticas sociais implementadas no período, destacando, em particular, como assinalado, aquelas relacionadas à área de  Desenvolvimento Social. Naturalmente, políticas universais na Educação e Saúde, políticas previdenciária e ações afirmativas e compensatórias serão também referidas.

Também é parte constituinte desse projeto o entendimento da mudanças e padrões da fecundidade, da mortalidade infantil, da esperança de vida, dos fluxos migratórios nesse período. A intensificação da “mudança” da dinâmica ou transição demográfica  sugere que há fatores e determinantes novos a analisar, para além daqueles clássicos sugeridos como urbanização, escolarização e acesso a serviços de saúde. As políticas de combate à pobreza devem ter papel relevante a explicar parte dessa intensificação da transição demográfica brasileira rumo à população em regime estável nos próximos 20 anos, como apontam as projeções do IBGE. Indicadores demográficos por classe de renda, escolaridade, raça/cor podem vir a contribuir nesse sentido, assim como resgatar a linha de estudos de Demografia da Desigualdade, menos presente hoje na comunidade de pesquisadores da área.

Participantes:

Paulo de Martino Jannuzzi

Projeto "Análise de paradados do censo demográfico 2010"

O Censo Demográfico é possivelmente uma das mais importantes fontes de informação sociodemográficas produzidas no país do ponto de vista de sua abrangência temática e territorial. No entanto, devido a sua complexidade, há uma constante preocupação na manutenção da qualidade dos seus resultados. A recente inserção de tecnologias de informação e comunicação (TICs) vem permitindo ganhos no controle da operação de campo e facilitando a apuração dos dados censitários dos últimos levantamentos. Paradados – dados oriundos da operação de coleta e da administração de uma pesquisa – podem ser utilizados na avaliação e na melhoria da qualidade do processo de pesquisa. Existem dois tipos de erros associados a um processo de pesquisa: o erro amostral, atribuído ao fato de que as estimativas são obtidas a partir de uma pesquisa amostral; e erros não amostrais, associados a aspectos inerentes ao processo de coleta dos dados. Este projeto está focado na investigação das fontes de erros não amostrais como possíveis fatores associados às falhas no processo de coleta do Censo Demográfico 2010 e para isto, utiliza como fonte os microdados do Universo do Censo Demográfico de 2010 e uma base de dados de supervisão de campo do mesmo censo. Objetiva-se a aplicação e a análise dos paradados do censo a fim de contribuir com o debate sobre o aprimoramento dos processos de produção de estatísticas públicas associados à realização de Censos e pesquisas quantitativas no país. Para tal, propõem-se a utilização da metodologia estatística de modelos hierárquicos para a identificação dos fatores associados às falhas no processo de coleta como, por exemplo, omissões e inclusões indevidas de indivíduos, domicílios e endereços. A análise de paradados é uma área de pesquisa ainda pouco explorada no Brasil, o projeto visa também à divulgação do uso deste método no debate sobre a qualidade de pesquisas no país.

Equipe:

Alinne de Carvalho Veiga (Responsável pelo Projeto)          Docente    
Denise Britz do Nascimento Silva Docente    
José André de Moura Brito Docente    
Luciano Tavares Duarte Participante Externo - IBGE    
Suzana Cavenaghi Docente  
Elizabeth Hipólito Discente doutorado  

 

Trabalhos que apresetam análises de paradados.

 
Ano Autores Título Periódico/Livro Volume, Número, Páginas Site DOI
2012 Couper, M. P. Using paradata to explore item level response times in surveys Journal of the Royal Statistical Society.A  176(1), 271–286 Disponível aqui. 10.1111/j.1467-985X.2012.01041.x
2013 Kreuter, F. (2013). Improving Surveys with Paradata: Introduction Livo    Disponível aqui. 10.1002/9781118596869
2011 Nicolaas, G. Survey Paradata : A review. ESRC National Centre for Research Methods Review Paper  1(21) Retrieved from  here  
2012 Stern, M. J. Toward Understanding Response Sequence in Check-All-That-Apply Web Survey Questions : A Research Note with Results from Client-Side Paradata and Implications for Smartphone Question Design Background : Vertical vs . Horizontal Orientations. Survey Practice  5(4). Retrieved from here  
2004 Maluccio, J. A. Using Quality of Interview Information to Assess Nonrandom Attrition Bias in Developing-Country Panel Data. Review of Development Economics  8(1), 91–109 Disponível aqui. 10.1111/j.1467-9361.2004.00222.x

Financiamento CNPq - Chamada Universal

Endereço: Rua André Cavalcanti, 106 - Bairro de Fátima - CEP 20231-050 - Rio de Janeiro