A Escola Nacional de Ciências Estatísticas convida para a Defesa de Tese de Doutorado intitulada:
Território e Poder: Resistência Indígena, Quilombola e Extrativista frente ao Agronegócio na Região de Tucuruí, Pará
Aluno: João Bosco de Azevedo
Data: 15 de maio de 2026 – Sexta-Feira
Horário:15h
Local: Auditório - Sala 306 e Clique aqui
Resumo: Esta tese analisa as estratégias territoriais baseadas na regulamentação das Áreas Protegidas como um dos principais processos de resistência dos Povos e Comunidades Tradicionais frente às diversas formas de apropriações da terra pelo agronegócio, compreendendo, assim, a dinâmica que envolve esses atores na gestão e ocupação dos territórios. Parte-se da hipótese de que os dispositivos legais que regulamentam as Áreas Protegidas constituem um campo de disputa territorial marcado por assimetrias de poder, no qual Povos e Comunidades Tradicionais os utilizam como estratégias de permanência territorial, da reprodução física e cultural e de manutenção dos modos de vida, enquanto o agronegócio atua em nível legislativo, político, econômico e midiático para reinterpretar, flexibilizar ou contestar esses dispositivos jurídicos como forma de viabilizar a expansão da fronteira agropecuária. Metodologicamente, a tese combina revisão bibliográfica, análise geoespacial de dados censitários e da cobertura e uso da terra, além de entrevistas semiestruturadas com lideranças locais, tendo como estudos de caso a Terra Indígena Trocará e a Reserva Extrativista Ipaú-Anilzinho, localizadas na região de Tucuruí, no estado do Pará. Os resultados evidenciam que as Áreas Protegidas constituem instrumento central na regulação do acesso e do uso da terra, configurando-se simultaneamente como mecanismos de proteção territorial para Povos e Comunidades Tradicionais e como espaços de disputa frente à expansão das atividades agropecuárias e de infraestrutura na região. Conclui-se que a agropecuária na área de estudo utiliza estratégias discursivas para fragilizar as organizações comunitárias e a própria legitimidade das Áreas Protegidas, gerando divisões internas, enfraquecendo as práticas coletivas de uso da terra e cooptando a população para suas práticas produtivas. No contexto regional, as Áreas Protegidas são marcadas pela sobreposição de políticas públicas, interesses econômicos e disputas territoriais, revelando o caráter contraditório da atuação do Estado, ao mesmo tempo em que garante os direitos territoriais das populações tradicionais, por meio do reconhecimento jurídico dessas áreas, promove políticas públicas que favorecem a expansão de atividades agropecuárias que pressionam essas áreas.
Palavras-chave: Agronegócio, Reserva Extrativista, Terra Indígena, Estratégia Territorial e Desterritorialização.
Banca examinadora:
Dr.César Augusto Marques da Silva (ENCE/IBGE) - Orientador
Dra.Letícia de Carvalho Giannella (ENCE/IBGE) - Coorientadora
Dra.Joice de Souza Soares (ENCE/IBGE)
Dra.Carolina de Freitas Pereira (ENCE/IBGE)
Dr.Fernando Souza Damasco (CGOC/IBGE)
Dr. Álvaro Oliveira D’Antona (UNICAMP)
Dra. Rebeca Steiman (UFRJ)
Coordenação de Pós-Graduação
Ana Carolina Soares Bertho