A Escola Nacional de Ciências Estatísticas convida para a Defesa de Tese de Doutorado intitulada:
Plataformização do planejamento e territorialidades tecnológicas na produção do espaço urbano e regional no Brasil
Aluno: Fabio Lucas Pimentel de Oliveira
Data: 24 de fevereiro de 2026 – Terça-Feira
Horário:09h00m
Local: Clique aqui
Resumo:esta tese adota o modelo de artigos e se divide em dois capítulos centrais, amalgamados pela introdução e pela conclusão. No primeiro, examina-se como a Carta Brasileira Cidades Inteligentes, inspirada em enunciados erigidos no Norte Global, reflete uma tendência de funcionalização mercadológica do planejamento urbano e regional. No Brasil, isso é evidenciado pela Plataforma Inteligente e pela Política Nacional de Cidades Inteligentes. Para verificar se está em curso uma mercadejação derivada de uma mobilidade neoliberalizante de políticas, contextualiza-se o sequenciamento regulatório que lhe é correlato na ambiência socioeconômica periférica e subordinada à financeirização que tipifica a realidade brasileira, enfatizando as características normativas, financeiras e infraestruturais subjacentes à plataformização do planejamento urbano e regional no país. Constata-se um reforço dos ditames da financeirização e da capacidade de apropriação rentista de valor por coalizões tecno-informacionais, em detrimento de uma produção socioespacial eivada de valores emancipatórios. No segundo, investiga-se as transformações espaciais recentes do centro histórico do Recife, promovidas pelo núcleo gestor do parque tecnológico Porto Digital (PPD). Enquadram-se referenciais críticos da economia política e da geografia sob a simbiose neoliberalização-dataficação, a fim de analisar a recente dinâmica produtiva e a reconfiguração imobiliária no aludido território. Os resultados revelam um desempenho acanhado, face a experiências análogas em outras cidades brasileiras, considerando a taxonomia de intensidade tecnológica, o número de estabelecimentos, de empregos, a massa salarial e os rendimentos médios. Não obstante, registrou-se expressivo aumento no valor venal dos imóveis comerciais, sobretudo no perímetro primário de atuação do PPD, amplificando a capacidade por ele detida de explorar a renda da terra e deduzir riqueza social para compor receitas. Constatou-se, ainda, o deslocamento das transações imobiliárias de compra e venda para bairros limítrofes e para as zonas norte e sul da cidade, reduzindo a contribuição fiscal das atividades de TIC instaladas no Recife Antigo. Conclui-se que a produção do espaço hegemonizado pelo PPD, imantada sob a aparência de um ecossistema de inovação cuja gestão é prenhe de contradições, reitera heteronomias vinculadas à histórica aptidão regenerativa de forças conservadoras que tipifica a urbanização brasileira.
Palavras-chave: plataformização; planejamento urbano e regional; territorialidades; produção do espaço
Banca examinadora:
Dr. Paulo Martino Januzzi (ENCE/IBGE) Orientador
Dra. Ana Cristina de Almeida Fernandes (UFPE) Coorientadora
Dr. Romay Conde Garcia (ENCE/IBGE)
Dr. Miguel Antônio Pinho Bruno (ENCE/IBGE)
Dr. Roberto Moraes Pessanha (IFF/CAMPOS)
Dr. Everaldo Santos Melazzo (UNESP)
Coordenação de Pós-Graduação
Ana Carolina Soares Bertho