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1ª defesa de tese de doutorado na Ence

Com menos de três anos após o início do curso de doutorado na ENCE, foi defendida a primeira tese do programa de pós-graduação em População, Território e Estatísticas Públicas, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas. A tese foi defendida em 13 de dezembro e foi intitulada “Potencialidades e desafios na utilização de registros administrativos e de imagens noturnas de satélite para a realização de estimativas populacionais municipais intercensitárias no Brasil”. De autoria de Luiz Felipe Walter Barros, servidor da gerência técnica do Censo Demográfico do IBGE, e orientado pela Profa Suzana Cavenaghi (Ence) e coorientado por Silvana Amaral (Inpe), a tese abordou questões relacionadas com a realização de estimativas populacionais municipais com a utilização de dados secundários.
A tese discutiu o uso dos dados de registros administrativos e de imagens noturnas de satélite como variáveis sintomáticas relacionadas ao crescimento populacional, utilizadas para o cálculo de estimativas populacionais no período intercensitário. Para isso, propôs uma metodologia própria denominada de método dos coeficientes angulares ponderados, que permitiu a realização de análises transversais e longitudinais para mais de 3.500 municípios do país entre os anos de 1990 e 2010. Como resultados, a pesquisa destacou os grandes desafios de se trabalhar dados secundários para a realização de estimativas populacionais municipais em um país como o Brasil, de dimensões continentais e com grandes desigualdades regionais. Mostrou também que apesar das expectativas geradas por estudos anteriores, os dados provenientes das imagens noturnas de satélite apresentaram um desempenho muito inferior aos dados provenientes de registros administrativos para a realização das estimativas populacionais. Além disso, contrariando hipóteses recentes sobre o uso de tais dados para o cálculo dos totais populacionais, o estudo aponta que as mudanças nos níveis de cobertura e de qualidade dos registros administrativos, associado a mudanças na estrutura etária da população impostas pela dinâmica demográfica brasileira, se constituem em grandes desafios para a utilização de variáveis sintomáticas para a realização dessas estimativas.
Com essa discussão, a tese apontou fortes possibilidades de parcerias entre pesquisas do programa e as atividades do IBGE, assim como as possibilidades de parceria com outras instituições, como a feita com o INPE para a realização da tese.
Ao fim da arguição, a qualidade do trabalho foi destacada pela banca, que registrou a defesa com louvor e distinção.
Participaram da banca de defesa, além das orientadoras, a professora Dra. Denise Britz do Nascimento Silva (Ence/IBGE), o professor Dr. Paulo de Martino Jannuzzi (Ence/IBGE), o professor Dr. Antonio Miguel Vieira Monteiro (INPE) e o professor Dr. Leandro Mariano González (Universidad Nacional de Córdoba).

Defesa doutorado mini

Aluno: Luiz Felipe Walter Barros
Título: “Potencialidades e desafios na utilização de registros administrativos e de imagens noturnas de satélite para a realização de estimativas populacionais municipais intercensitárias no Brasil”.
Resumo da Tese: Um dos grandes desafios deste início do século XXI tem sido, para muitos países, a manutenção de informações precisas e atualizadas sobre os totais populacionais nos diferentes níveis geográficos. Apesar de a maioria dos países ainda não contar com registros administrativos (RA) que permitam a realização de levantamentos censitários com base nesse tipo de informação, muitos estudos sugerem que o uso desses dados pode ser de grande utilidade para a atualização populacional no período intercensitário. Paralelamente, vários estudos têm produzido resultados otimistas quanto à possibilidade de utilização de dados de sensoriamento remoto para estimar a população em pequenas e grandes áreas, especialmente com a utilização de imagens noturnas de satélite (INS). Nesse contexto, o objetivo desse estudo é analisar as potencialidades e identificar os desafios na utilização de dados de RA e de INS para o cálculo das estimativas populacionais municipais no Brasil no período intercensitário. Tomando-se como referência o período 1990-2010 e partindo-se de uma abordagem metodológica diferenciada, utilizando-se coeficientes angulares ponderados como proxies das taxas de crescimento linear anual das variáveis sintomáticas (VS) e da população, foram realizadas análises transversais, longitudinais e ajustados modelos de regressão linear múltipla. A partir dessas análises, ficou evidente que os dados oriundos das INS apresentam menor potencial para a predição das variações populacionais do que os dados provenientes dos RA. Além disso, verificou-se que os diferenciais de cobertura e qualidade dos RA e sua variação no tempo, assim como as mudanças na estrutura etária da população, podem impactar negativamente o desempenho destes dados para predizer as variações populacionais, fazendo com que estimativas realizadas pelo método AiBi sejam mais próximas dos resultados do censo do que aquelas provenientes de métodos que utilizam VS quando há dados de uma contagem populacional no meio da década. Assim, contrariando as tendências recentes de utilização de dados de fontes externas para realização de censos ou mesmo para a manutenção das cifras populacionais atualizadas, os resultados desse estudo indicam que as dimensões continentais e as desigualdades regionais do país, os diferenciais de qualidade e cobertura dos RA e a própria dinâmica demográfica da população se constituem em grandes desafios para a utilização desses dados para a realização de estimativas populacionais municipais no período intercensitário no Brasil.

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