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Evento da Ence debate os rumos da Estatística: tecnologias baseadas em dados, comunicação e incerteza

 30/06/2026

20260630 DiaEstatistico

Da inteligência artificial que escreve códigos aos modelos empregados para antecipar riscos em saúde, passando pelo desafio de comunicar resultados de maneira clara e reprodutível: o evento comemorativo do Dia do Estatístico mostrou uma profissão em permanente transformação.

Realizado on-line em 1º de junho, o encontro reuniu a Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em torno do tema “Desafios atuais para a Estatística”. A mesa-redonda foi aberta pela coordenadora da Graduação da Ence, Renata Duarte, e contou com três perspectivas sobre as mudanças enfrentadas pela área.

Ex-aluno da Ence, Tiago Dantas iniciou o debate abordando o cruzamento entre inteligência artificial e blockchain. A partir de sua experiência no desenvolvimento de infraestrutura para o mercado financeiro, mostrou como sistemas autônomos e códigos executados em ambientes imutáveis ampliam as consequências de erros e falhas. Nesse contexto, o estatístico passa a desempenhar uma função estratégica: avaliar riscos, auditar modelos e tornar visíveis incertezas que os próprios sistemas podem ocultar.

Na sequência, o professor Guilherme Augusto Veloso, da UFF, deslocou a atenção dos modelos para a comunicação dos resultados. Sua apresentação mostrou que produzir uma boa análise já não é suficiente: é necessário organizar processos que permitam atualizar, reproduzir e compartilhar os resultados em diferentes formatos. Relatórios, apresentações, livros digitais, sites e painéis interativos foram discutidos a partir das possibilidades oferecidas pelo Quarto, ferramenta que integra códigos, dados e textos em um mesmo fluxo de trabalho.

A comunicação voltou ao centro da conversa durante as perguntas da audiência. Ao comentar os impactos da inteligência artificial na formação dos estudantes, Guilherme destacou a importância de estimular a apresentação e a discussão dos resultados, mesmo quando diferentes tecnologias são utilizadas na produção dos materiais. Mais do que dominar uma ferramenta específica, saber explicar escolhas, interpretações e conclusões permanece como uma competência fundamental.

Encerrando as apresentações, Mariane Branco Alves, professora da UFRJ, discutiu o lugar do estatístico em uma sociedade cada vez mais orientada por dados e algoritmos. Com exemplos relacionados à saúde pública, à vigilância epidemiológica, à economia, à atuária e à modelagem de riscos, ela ressaltou que a Estatística não se resume a técnicas e fórmulas. Consiste em uma linguagem para formular perguntas, reconhecer vieses, interpretar modelos e apoiar decisões responsáveis em situações de incerteza.

O uso da inteligência artificial também atravessou o debate. Mariane defendeu que essas ferramentas podem auxiliar na apresentação e na organização dos conteúdos, mas não substituem a responsabilidade intelectual de quem os produz. Para ela, preservar a autoria, o domínio do assunto e os valores próprios de cada área é parte essencial da formação profissional.

Com duas horas de duração, o encontro avançou além do horário devido às perguntas e aos comentários da audiência. O prolongamento do debate evidenciou que as transformações discutidas não produzem respostas simples. Diante de tecnologias que mudam rapidamente, os participantes convergiram em torno de alguns pontos: a necessidade de adaptação contínua, a capacidade de dialogar com diferentes áreas e a importância de comunicar o conhecimento estatístico com clareza.

“Mais do que celebrar a profissão, o encontro mostrou como a Estatística precisa continuar dialogando com as transformações tecnológicas e com os desafios da sociedade. A parceria entre Ence, UFF e UFRJ fortalece esse debate e cria oportunidades para aproximar estudantes, docentes e profissionais”, avaliou a comissão organizadora.

Ao reunir diferentes experiências acadêmicas e profissionais, o evento apresentou uma Estatística que não observa a revolução dos dados à distância. Ela participa diretamente da construção de tecnologias, da avaliação de seus limites e da transformação de dados em decisões que afetam a vida das pessoas.


Comissão organizadora

Bianca Walsh (Ence); Eduardo Lima Campo (Ence); Jessica Kubrusly (UFF); João Batista de Morais Pereira (UFRJ); Mariana Albi (UFF); Mauricio Franca Lila (Ence)


Disponível em

Canal do YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=mNfVlJWdpnc&feature=youtu.be

Endereço: Rua André Cavalcanti, 106 - Bairro de Fátima - CEP 20231-050 - Rio de Janeiro