Nesse início de década o Estado do Rio de Janeiro passou por dois dos maiores desastres da história recente do país, com os deslizamentos do Morro do Bumba, em Niterói e na Região Serrana, em 2010 e 2011, respectivamente. No entanto, o estudo dos impactos demográficos, sociais e econômicos de desastres ainda são raros no Brasil. O foco no evento físico que gera o impacto ainda é a tônica das pesquisas acadêmicas e das práticas de política pública. Nesse projeto buscamos uma compreensão sobre os desastres a partir da discussão sociológica. Compreendemos o desastre como um fenômeno que ocorre na interação entre um evento-perigo que atinge áreas em condições de vulnerabilidade social e ambiental, gerando impactos. Do ponto de vista demográfico, o deslocamento de populações e a mortalidade são os principais impactos. Para a realização dessa pesquisa, serão utilizadas duas escalas. Na escala estadual iremos analisar a composição sociodemográfica e ambiental dos 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro, criando um mapeamento sobre as principais características que servirão de fundo para a ocorrência dos desastres. Na escala local faremos estudos do tipo forense, analisando os impactos demográficos e as respostas dadas pela sociedade em relação aos dois desastres específicos aqui mencionados: do Morro do Bumba e da Região Serrana. Tal análise será focada na dinâmica da mobilidade e morbimortalidade gerada por tais desastres, com ênfase nos aspectos de realocação de moradias, deslocamentos forçados, emigração em função do desastre, impactos na saúde e mortalidade. Espera-se que o projeto apresente resultados que avancem na conceituação do desastre e nos seus desdobramentos no plano da mobilidade e saúde.
César Augusto Marques da Silva
Ana Carolina Soares Bertho
Letícia de Caravalho Giannella
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Encontro no dia 24 de setembro apresenta metodologia do PARIS21 para avaliar a preparação institucional de órgãos de estatística para o uso responsável e eficaz da Inteligência Artificial.
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